Eu

Eu
Eu

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Na Ponta da Língua



O que você quer dizer                         
diga na ponta da língua                                                  
o que você quer dizer                               

                                      O que você quer dizer
diga na ponta da língua                    
o que você quer dizer                                   

                                                       Só não diga dessa água
não beberei dessa água                                              
                                                       só não diga dessa água
não beberei dessa água.






Walter Franco

terça-feira, 15 de maio de 2012

Quatro


Quatro letras
Quatro palavras
Quatro frases
Quatro

Quatro taças
Quatro caminhos
Quatro ventos
Quatro cantos

Quatro estações
Quatro pétalas
Quatro canções
Quatro luas

Quatro marés
Quatro rios
Quatro santos
Quatro estrelas

Quatro minutos
Quatro dias
Quatro semanas
Quatro meses

Quatro.

Jean dos Anjos

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Milagre, Martírio, Protagonismo da Tradição Religiosa Popular de Juazeiro

O livro "Milagre, Martírio e Protagonismo da Tradição Religiosa Popular de Juazeiro: Pe. Cícero, Beata Maria de Araújo, Romeiros/as e Romarias" reúne pesquisas e comunicações apresentadas no I Seminário Estadual em Ciências da Religião realizado em outubro de 2008, em Fortaleza-CE, que trouxeram contribuição significativa para o estudo do fenômeno religioso em Juazeiro.
A obra pretende mostrar a importância da especificidade da abordagem das Ciências da Religião para a melhor compreensão do papel e significado dos protagonistas da Tradição Religiosa Popular de Juazeiro, e, para o resgate do valor paradigmático que esta Tradição merece. Nas palavras da pesquisadora Maria do Carmo Pagan Forti o livro desafia a reescrever uma história carregada de preconceitos religiosos e conveniências acadêmicas: ele “é o resultado desse novo olhar sobre aquele pedaço de Brasil que, a despeito da rejeição de antes, sobrevive e pode, sempre de novo, manifestar abertamente a peculiaridade e fecundidade da sua experiência religiosa”.
Na seção pesquisas publicam-se: as conferências das Dras. em Psicologia da Religião Annette Dumoulin “Pe. Cícero: sonho milagre e martírio” e Ana Tereza Guimarães “Romeiros/as e Romarias: protagonismo, martírio e resistência do Movimento de Tradição Religiosa em Juazeiro”; os estudos temáticos da Ms. em Psicologia da Religião Maria do Carmo Pagan Forti “Beata Maria de Araújo, memória perigosa de uma mística”, da Dra em Sociologia Paula Cordeiro “Romarias, movimento social de Tradição Religiosa Popular, impacto social e político”, e do Esp. Renato Dantas “Influências da Religiosidade Popular na Cultura”.
Na seção comunicações apresentam-se os trabalhos: da Dra. em Educação Ercília Maria Braga de Olinda e Esp. Jaefson Rodrigues “Encanto e estranhamento diante do filme ‘O Milagre em Juazeiro’: lições para a formação de professores do ensino religioso”; da Esp. Em Ciências da Religião Maria do Socorro Vieira “O corpo grita no silencio”; e da Dra. em Educação Núbia Ferreira Almeida “Memória e história da educação em Juazeiro e o projeto educacional do padre Cícero”.
A organização, apresentação e introdução do livro é do Ms. em Ciência da Religião Luis Eduardo (Lucho)Torres Bedoya.

Lançamento dia 24 de maio de 2012, 18:30HS -
Rua Rodrigues Junior, 300 - Centro - Fortaleza-CE
Contato: luchotb@oi.com.br

Eu e o Meu Espelho


Olhando-me

Sabe, é muito difícil a gente se  encarar no espelho,
Fiquei assim, me encarando um tempinho.
Descobri, que ando sumida de mim.
O tempo anda curto para me encontrar, para me ouvir.
Mas sobra pra viver pela cartilha dos outros e ler uma porção de frases feitas.
É um jeito confortável de tocar as coisas.
Olhar para si  é doloroso.
E  foi me olhando, que pensei! Como vim parar aqui?
Neste impasse, lembrei das minhas  tristezas...
Lembrei de mim, pequenina, e todos os sonhos espalhados,
De minhas decisões.

Das decisões impostas a mim...

Será que aquela  criança, anda insatisfeita com a vida, com o rumo que a vida tomou..?
Esse olhar, esse meu olhar ,teve uma capacidade incrível de me fazer sentir viva.
Além disso, me impulsionou para uma importante decisão:
Amar com todas as forças essa minha existência
E me manter encantada  por essa mistura de possibilidades imprevisíveis, doces e amargas, multicoloridas, que compõem a vida
E .. me reaproximar daquela pequena que desenhava apaixonadamente, sem preocupações.
E que desenhava a vida sempre através de seus sonhos.

Stella Maris

domingo, 13 de maio de 2012

A Mãe da Gente

Não gosto de escrever sobre ou em datas especiais, mas desta vez falo dessa singular criatura que é a mãe da gente, e dessa mais singular ainda relação entre nós e ela. Entre ela e nós? Há discrepâncias iniciais: o que sentimos e pensamos não coincide, em geral, com o que ela sente e pensa. Um dos dramas humanos é a distância entre a intenção de quem disse a palavra ou fez o gesto, o olhar, e quem os recebeu e tantas vezes interpretou erradamente, guardando mágoas das quais o causador nunca teve a menor ideia, muito menos intenção.
 
A intensidade com que sentimentos e cultura caracterizam e oneram as relações humanas, sobretudo essa, de mães e filhos, pode ser pungente. Algumas brincadeiras bobas não são tão bobas: "Mãe de mais, vira mimado; mãe de menos, fica revoltado". Peso excessivo se coloca sobre os ombros de mãe, e de pai também. Se uma boa família, isto é, razoavelmente saudável, em que corra mais forte o rio do afeto e da alegria do que o da frieza e do rancor, tende a produzir indivíduos emocionalmente mais saudáveis, a regra tem muitas exceções. Boas famílias podem conter filhos neuróticos, violentos, drogados, e famílias disfuncionais podem produzir gente equilibrada, positiva, produtiva.
 
Partindo do princípio de que relações são complicadas, ter um filho (a mais incrível experiência humana), ter de (ou querer) criá-lo para que seja feliz (seja lá o que isso significa), cuidar e sua saúde, seu desenvolvimento, dar-lhe afeto, bom ambiente, encontrar o dificílimo equilíbrio entre vigiar (pois quem ama cuida) e liberar (para que se desenvolva), é tarefa gigantesca. Que a mais simples mãe do mundo pode realizar sem se dar conta, e na qual a mais sofisticada mãe pode falhar de maneira estrondosa, dando-se conta disso, ou jamais pensando nisso.
 
Neste universo de contradições, pressões, exigências, variedades e ansiedade em que andamos metidos, qualquer tarefa fica mais difícil, que dirá a de manter, concreta e emocionalmente, uma família numa relação boa dentro do possível. Os compromissos de pais e mães se avolumam, as necessidades e exigências de filhos e filhas se multiplicam, as ofertas se abrem como bocas devoradoras, o stress, a pressa, a multiplicidade de tudo, nos deixam pouco tempo físico para conviver com alegria ou escutar com atenção, e pouca disponibilidade psíquica: também pais e mães estão aflitos.
 
Se antes o pai chegava em casa à noite cansado, querendo jantar, ler o jornal, olhar um pouco os filhos e a mulher descansar, hoje chegam exaustos os dois: a mãe, além disso, pela constituição biopsíquica com que a dotou a mãe natureza (para preservação da espécie), e pela culpa que nossa cultura lhe impõe (ou é uma culpa natural e inevitável), chega duplamente sobrecarregada. Incluam-se aqui tarefas que parecem banais, como olhar roupa, comida, questões escolares dos filhos, embora hoje uma parcela crescente de pais tenha entendido que, não sendo nem retardados nem deficientes físicos (ou mesmo sendo), podem assumir e curtir esses pequenos grandes trabalhos.
 
A mãe da gente é aquela que nos controla e assim nos salva e nos atormenta; e nos aguenta mesmo quando estamos mal-humorados, exigentes e chatos, mas também algumas vezes perde a calma e grita, ou chora. Mãe da gente é aquela que nos oprime e nos alivia por estar ali; que nos cuida, às vezes demais, e se não cuida a gente faz bobagem; é a que se queixa de que lhe damos pouca bola, não ligamos para seus esforços, e, mais tarde, de que quase não a visitamos; é aquela que só dorme quando sabe que a gente está em casa, e chegou bem; a que levanta da cama altas horas para pegar a gente numa festa quando o pai não está ou não existe, ou já fez isso vezes demais.
 
A mãe da gente é o mais inevitável, inefugível, imprescindível, amável, às vezes exasperante e carente ser que, seja qual for a nossa idade, país, etnia, classe social ou cultura, nos fará a mais dramática e pungente falta quando um dia nos dermos conta de que já não temos ninguém a quem chamar "mãe".
 
Lya Luft

domingo, 6 de maio de 2012

25.000 Acessos


Olá galera! Bom dia, boa tarde, boa noite!

Esse post é mais um feedback para as pessoas que acessam o meu blog, "Em Outro Hemisfério", nome retirado da música "Calor", da Adriana Calcanhotto. Ela pode ser ouvida dando um click aqui em cima, no canto direito da página.
Esses dias, o blog chegou à marca de 25.000 acessos.
Achei legal o blog ter chegado a tantos acessos. Acredito que para o mundo da internet, seja pouco, mas para o meu mundo, é muito. Em 26 de junho ele completará dois anos.

Bom, para quem não sabe, quem mais me incentivou a criar o blog foi a minha amiga Maximiria Holanda. A partir de umas conversas nossas, eu fui imaginado como seria ter um blog. A princípio, eu postava todos os dias, praticamente. Depois as coisas foram mudando e eu fui tendo menos tempo, acabei relaxando mais. No mês de fevereiro desse ano, não postei nada, por exemplo. Não é por falta de idéias, é por falta de tempo mesmo. Para vocês entenderem, tenho cerca de 50 postagens no rascunho para serem publicados, mas eu não consigo porque falta um detalhe, ou mesmo eu não consegui formatar, ou falta uma foto que eu ainda não pude fazer, enfim, tantos detalhes.

O fato é que apesar de tantas besteiras que tem no blog, como diz o Yuri Emanuel, ele tá rodando por aí. Tem gente que eu não conheço que me passa e-mail dando retorno, comentando, criticando ou simplesmente dizendo "oi".

Outra coisa, o blog "Em Outro Hemisfério" ainda não tem um conceito pronto. Ainda não consegui realizar isso, tenho dificuldades em pontuar apenas um eixo. Ele tem mais a minha cara, o meu dia a dia, a minha intuição. Enfim, o blog diz de mim e de tudo que eu realizo: teologia, religião, yoga, movimentos sociais, pastorais, cultura, entretenimento, política... "Essas coisas que eu gosto", como diz um amigo meu ali.

E no final, quero agradecer a vocês que acessaram o blog e que de alguma maneira contribuiram para que ele permanecesse no ar, com postagens bobas ou alguma coisa séria. Muito agradecido!

Jean dos Anjos

sexta-feira, 4 de maio de 2012

De Mim e da Lua



Dos meus anseios
Das minhas alegrias
Das minhas dúvidas
E dos meus medos
A lua.
Das minhas vitórias
Das minha derrotas
Das minha dívidas
E das minhas lutas
A lua.
Do meu avesso
Da minha loucura
Do que eu sou
E do que eu não sou
A lua.
Das viagens que eu fiz
Das angústias que sofri
Das batalhas que venci
E do que eu não conheci
A lua.
Das misérias humanas
Das correntes do bem
Do que eu mais quero viver
E do que eu vivo
A lua.

Minha saudação, meu norte, minha sabedoria lunática.
Em noite de lua cheia,
Jean dos Anjos

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Desenhos de Sol



Dos meus desenhos mais bonitos
O meu melhor tem você
Das coisas que eu mais gosto
É de você que eu gosto
Do teu sorriso espacial
Do teu olhar curioso
Das tuas mãos ansiosas
Da tua lua no meu pequeno universo.

Dos meus desenhos mais bonitos
O que mais gosto tem você
Das coisas que eu mais sei
É de você que eu quero saber
Quando você fala rápido
E quando não me entende
E quando se despede
E quando retorna para mim.

Dos meus desenhos mais bonitos
O que mais sonho tem você
Das coisas que eu mais amei
É seu o meu maior amor
Porque é você que me levanta
   a cada manhã.
E entardece todos os dias
   meu poente.
E me aparece novamente, felizmente.

O sol da minha vida
Que me faz rir, chorar, andar devagar
Que me deixa mole
Que me faz desenhar, viver, morrer,
   sonhar.
Você, o astro da minha vida.
Minha liberdade,
Meu amanhecer
Meu sol.

Jean dos Anjos

terça-feira, 1 de maio de 2012

Repensando a Compaixão


A palavra compaixão talvez seja uma das menos entendidas de todas as línguas. Normalmente é associada à pena, piedade, comiseração. Ora, não há nada mais alheio ao sentido visceral dessa palavra forte e ardente–compaixão– do que essas edulcoradas e humilhantes definições.
Compaixão é sofrer com, padecer solidariamente e em comunhão. Tem a ver com justiça e restaurar dignidades atingidas e cruelmente vulneradas. Compaixão é o sentimento que caracteriza o ser humano diante de seus irmãos em humanidade que se encontram desumanizados pela pobreza, a violência e a opressão. É o que move o coração dos justos diante da iniquidade e do sofrimento do outro. É o que enche de desejo de comungar com a dor do outro e fazê-la sua.
Perante as vítimas inocentes da injustiça, dentro de um ambiente de globalização e pluralismo como é o nosso hoje, existirá um critério de entendimento e convivência irrevogavelmente reconhecido e vinculante para todos e, neste sentido, capaz de ser reconhecido como verdadeiro? Parece-me ser compaixão a palavra-chave para encontrar a resposta. Pois ela é capaz de suscitar a memória subversiva das vítimas para fazê-las de novo ativas na história.
É este conceito-atitude que procura exprimir a necessidade de o cristianismo abandonar a sua ameaçadora autoprivatização acomodada. Compassio não é um sentimento a partir de cima ou de fora, mas a percepção do sofrimento alheio, no qual se toma parte e que eticamente obriga. Para esta compaixão, vale o imperativo categórico: "para, escuta e olha”.
A compaixão é a capacidade de partilhar o sofrimento do outro. Com efeito, o mais terrível do sofrimento não é tanto ele em si, mas a solidão que nele se experimenta. Por isso alguns teólogos contemporâneos tratam de elaborar uma memoria passionis (memória da paixão) como categoria de base de uma teologia em espaço público. Trata-se de recordar –lembrar com o coração- os sofrimentos dos outros; fazer um rememorar público do sofrimento alheio, incorporado de tal maneira ao uso público da razão que a esta imprima um selo.
A compaixão parte, portando, da universalidade da experiência do sofrimento. A partir daí entende a teologia contemporânea a necessidade de uma nova teologia política que contribua vigorosamente para uma Igreja compassiva, funcionando a "memoria passionis” como recordação provocadora que fundamenta uma nova ética.
Os que sofrem, as vítimas de todo tipo, teriam então uma autoridade. E esta autoridade seria a autoridade interior de um ethos global, de uma moral mundial, que obrigaria todos os homens anteriormente a qualquer ideologia, a qualquer entendimento. Uma moral que, por conseguinte, não pode ser posta de lado ou relativizada por nenhuma cultura e por nenhuma religião, ou igreja. Toda verdadeira mística, hoje, sobretudo após Auschwitz, não pode não ser inspirada por esse ethos. E uma política inspirada por este ethos seria mais e diferente de uma pura executora das orientações do mercado, da técnica e de suas opressões objetivas em nossos tempos de globalização. Seria, portanto, mais humanizante e libertadora.
Aquilo que a teologia política explicitará na Europa do pós-guerra, que a teologia da libertação tematizará na América Latina a partir dos anos 1970, muitos já o viviam e o vivem em suas vidas e experiências espirituais, explicitando-o em sua práxis. Referimo-nos aqui a fenômenos como o dos padres operários, na Europa dos anos 1950; a pessoas como Madeleine Delbrel, apóstola das ruas de Paris; a Simone Weil, filósofa agnóstica que a partir da dureza do trabalho da fábrica vivido em seu corpo encontra a Deus e a Jesus Cristo, já nos anos 1930, antes mesmo dos horrores da guerra. E a tantos outros e outras que já viviam e narravam o que a teologia posteriormente elaborou em estilo articulado e rigoroso.
É possível, portanto, afirmar que o critério universal da condição humana se encontra na interpelação feita pela pobreza e a dor do outro e pela compaixão que ela origina. Todo este movimento não é apenas ético, mas também místico - ou melhor, é místico porque ético e vice-versa - uma vez que na Revelação bíblica e no Cristianismo ambas as coisas não se dissociam. Só encontrando aí sua fonte de inspiração primeira e iniludível pode a Teologia não ser infiel à sua identidade e à sua missão.

[Autora de "Simone Weil - A força e a fraqueza do amor”(Ed. Rocco)].

Maria Clara Lucchetti Bingemer
Teóloga, professora e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio
 

domingo, 22 de abril de 2012

Correntes


Não me julgues.
Eu não escrevo para ser réu em tribunais.
E não me fotografe.
Minha imagem não diz quem eu sou.
Onde estão os espelhos?
Quero me ver, mas você não me dá espaços.
E nas tuas alamedas, não consigo me mover.
As minhas lágrimas são teus diamantes.
Porque tu não me libertas e eu não consigo dançar.
E se hoje sigo na frente, é porque tu não me acompanhaste.
Tu não me vias. E por isso, não me compreendias.
Tua lente é fosca.
E minha imagem é lenta.
Mas por favor, não leias me julgando.
Continuas em silêncio.
E muda a tua direção da minha. Tira o teu foco de mim.
Porque a minha fotografia não te diz mais nada.
Eu não sou a tua imperatriz.
E na tua lente, não sei quem eu sou.
Porque minhas correntes não me permitem dançar.
Porque minhas correntes não me permitem chorar.
Porque minhas correntes não me permitem ser tua.
Porque minhas correntes não me permitem  ser nua.

Jean dos Anjos
Inspirado na tarde de 21/04/12,
na frase de Yuri Emanuel 
e na beleza fundamental de Samaisa dos Anjos.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

O Veneno Está na Mesa


O Brasil é o país do mundo que mais consome agrotóxicos: 5,2 litros/ano por habitante. Muitos desses herbicidas, fungicidas e pesticidas que consumimos estão proibidos em quase todo mundo pelo risco que representam à saúde pública.

O perigo é tanto para os trabalhadores, que manipulam os venenos, quanto para os cidadãos, que consumem os produtos agrícolas. Só quem lucra são as transnacionais que fabricam os agrotóxicos. A idéia do filme é mostrar à população como estamos nos alimentando mal e perigosamente, por conta de um modelo agrário perverso, baseado no agronegócio.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Amor de Índio



Tudo que move é sagrado
E remove as montanhas
Com todo o cuidado
Meu amor
Enquanto a chama arder
Todo dia te ver passar
Tudo viver a teu lado
Com arco da promessa
Do azul pintado
Pra durar
Abelha fazendo o mel
Vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
O destino que se cumpriu
De sentir seu calor
E ser todo
Todo dia é de viver
Para ser o que for
E ser tudo
Sim, todo amor é sagrado
E o fruto do trabalho
É mais que sagrado
Meu amor
A massa que faz o pão
Vale a luz do teu suor
Lembra que o sono é sagrado
E alimenta de horizontes
O tempo acordado de viver
No inverno te proteger
No verão sair pra pescar
No outono te conhecer
Primavera poder gostar
No estio me derreter
Pra na chuva dançar e andar junto
O destino que se cumpriu
De sentir seu calor e ser tudo
 

Sim, todo amor é sagrado

Beto Guedes / Ronaldo Bastos




terça-feira, 10 de abril de 2012

O que você faz quando ninguém te vê fazendo?



Hoje é dia de Rock aqui no meu blog, bebê!!!
Afinal, com tanta gente dissimulada por aí hoje, resolvi dar uns gritos com o Capital Inicial.

A música é "Quatro vezes você".

As pessoas são capazes dos atos mais sórdidos quando ninguém tá vendo....

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O Perfume Derramado das Feministas - Nancy Cardoso

Nancy Cardoso - imagem retirada da net


Com certeza o cheiro do bálsamo entrou na casa antes que a mulher. Vinha com ela pelo caminho para casa de Simão, o leproso. Mais do que o cheiro, a intenção. Mais do que o frasco, o jeito. Mais do que o perfume, o sentido.
Ensaiava os gestos sabendo que teria de improvisar. Sabia o que queria...por isso, o perfume. Sabia que não podia. Não havia sido convidada. Não era esperada...por isso, a surpresa, o inesperado. Mas Jesus estava lá, por isso se atrevia.
"...aproximou-se dele uma mulher, trazendo um vaso de alabastro cheio de precioso bálsamo, que lhe derramou sobre a cabeça, estando ele à mesa." (Mateus 26,7)
O cheiro é inevitável. Escorre pela cabeça, respinga na mesa e na roupa do discípulo ao lado. A casa toda cheira a bálsamo. Impossível não sentir. Enebriada pelo perfume a memória já não sabe dizer se foi a cabeça (Mt 26; Mc 14) ou os pés (Jo 12)...o corpo todo! Mas houve a mulher e o perfume.
Uns dizem que a mulher fez mais: enxugou os pés de Jesus com o cabelo (Jo 12). Ela esteve lá. Ela toda: perfumada e descabelada.
A casa cheirava e os homens se irritavam.
"Vendo isto, indignaram-se os discípulos e disseram: Para que este desperdício? Pois este perfume podia ser vendido pôr muito dinheiro e dar-se aos pobres." (Mateus 26, 8 e 9)
Era páscoa. A situação de Jesus era de fragilidade diante dos principais sacerdotes e os anciãos do povo que já tramavam sua morte (Mateus 26,3).
O sentimento da inevitabilidade do confronto rondava a cabeça e as emoções dos discípulos. Era páscoa e as prioridades estavam claras, os compromissos haviam sido feitos...até que aquela mulher e seu cheiro entraram pela casa a dentro.
A avaliação dos discípulos pode ser organizada na exclamação:
Que desperdício!
Bonito, mas fora de hora. Interessante, mas desnecessário. Significativo, mas não prioritário. Intrigante, mas inútil. Marcante, mas secundário.
Era páscoa. O confronto estava colocado e era preciso ser objetivo e eficiente.
Vende-se o perfume pôr muito dinheiro que poderia ser dado aos pobres. Este é o eixo. Esta a prioridade. Tudo mais é desperdício!
Mas o perfume derramado já não pode mais ser guardado no frasco.
Era páscoa e todo o corpo de Jesus cheira a bálsamo precioso. E é bom. O perfume. O cabelo. A mulher. É páscoa. O confronto...os pobres estão aí, sempre. E daí? Mas é o perfume que qualifica o gesto da mulher no corpo de Jesus e pronuncia nomes ainda não ditos para a experiência de Deus que não se esgota em discurso formal algum, mesmo que seja o que se auto-proclama pelos pobres.
"Por que molestais esta mulher? Ela praticou boa ação para comigo." (Mateus 26,10)
O perfume era o sinal da cumplicidade entre Jesus e a mulher.
Cúmplices de um messianismo que tem sua mediação no corpo perfumado e prazeiroso. Ressurreição. As prioridades funcionais que orientam a análise e a reflexão dos discípulos não sabem o que é isso. Aprisionados na generalidade do discurso sobre o pobre, para pobre, não podiam perceber no gesto da mulher o tanto de afirmação política e teológica.
"...derramando este perfume sobre o meu corpo, ela o fez para o meu sepultamento." (Mateus 26,12)
Na memória de João 12,1 a 8 as prioridades dos discípulos são desmascaradas no comentário que sugere o desvio de recursos destinados aos pobres pôr parte de Judas.
O texto de Mateus 26 e Marcos 14 também articulam o relato da traição de Judas a este episódio localizando assim conflitos internos ao movimento de Jesus.
A leitura dos discípulos sobre o messianismo de Jesus não é unânime.
O gesto da mulher pode ser entendido como expressão de uma parte do movimento de Jesus que formulava o messianismo de modo distinto e específico daquele que comumente entendemos como oficial e que tem suas contradições apresentadas nos relatos da morte de Jesus.
Da mulher e seu gesto Jesus diz que ;
"Onde for pregado em todo o mundo este evangelho será também contado o que ela fez, para memória sua." (Mateus 26,13)
Para memória sua. Para memória sua.
O cheiro do perfume derramado atravessa o tempo e continua exigindo leitura, sentido...revelação.
Pra quem se faz aprendiz das teologias do continente latino-americano, pra quem se faz mulher e teóloga gerada e crescida nas lutas dos movimentos de libertação o gesto de invadir a casa aonde se reúnem os homens e derramar o perfume traduz bem o tanto de desafio e tarefa que vem sendo feito e ainda se tem pra fazer.
Nós também não fomos convidas, nem éramos esperadas neste momento de páscoa-confronto no qual a Teologia da Libertação se fez e se vai fazendo.
Prioridades elencadas, lutas fundamentais identificadas, preferências assumidas, agentes sociais privilegiados alimentam o esforço dos teólogos que se sentam à mesa do continente-leproso.
E já é muito que estejam sentados nesta mesa.
Aí, entra a mulher e derrama seu perfume.
Desperdício! gritam os senhores teólogos ciosos de suas prioridades.
A mediação é o pobre! insistem entre irritados e indiferentes sugerindo que o que chamamos de teologia feminista poderia ser de alguma forma revertido na direção hermeneuticamente e politicamente adequada. Tratam de fazer do cheiro que exalamos um tema a mais, entre outros que se subordinam e se ajustam aos parâmetros da mediação do pobre.
Mais do que o gesto, a intenção. Mais do que o frasco, o corpo. Mais do que o perfume, o sentido.
Mais o que é as teologias feministas vem derramando e com o que vêm impregnando a casa, a igreja, as editoras, os institutos, as bibliotecas, os seminários, as gavetas, as assembléias e os concílios? Por que é que ouvimos tantas vezes que a teologia que fazemos é desperdício! ?
1- Nos recusamos a continuar pensando o sagrado a partir dos parâmetros patriarcais e mais que isso, denunciamos a teologia feita até aqui como idolátrica uma vez que incorpora o macho e seus atributos como extensão do divino.
Cheiramos a teologias que já não precisam de fundamentos mas que na exposição de suas motivações revelam o sagrado, com os muitos nomes que Deus pode ter.
A Teologia da Libertação ainda não denunciou o que nela mesma é patriarcalismo e fetichismo do macho: nem a nível metodológico nem nos desdobramentos eclesiológicos que ainda asseguram o privilégio masculino ao saber e administração do sagrado.
Continua o desafio de construção e apropriação de novos instrumentais teóricos, em especial a investigação e reflexão teológica que se utilize das categorias de gênero.
2- Nossas teologias têm cheiro de corpo. Já foi feito o caminho de construir a teologia a partir da realidade e seus conflitos, fazendo-o de modo comprometido na preferência pelos pobres.
As teologias feministas insistem que a mediação sócio-analítica não pode se esgotar no "pobre" como generalidade e insiste em apontar o corpo como ponto de mediação hermenêutica.
O corpo cheira, é contextualizado, datado, situado. Mais que isto, o corpo é sexuado. Raça e gênero não são portanto mero apetrecho decorativo da reflexão mas, na interação com o corte sócio-econômico circunscrevem as condições objetivas e subjetivas aonde a interpretação e a formulação do discurso e prática do sagrado acontecem.
A questão da mulher não é questão. Nem é tema específico. Não é uma dimensão, nem uma particularidade.
As teologia feministas não pretendem o todo, o universo sistêmico da teologia porque isto já não existe mais. Neste sentido cheiramos a ecumenismo, um que se esparrama para além das formalidades intra-eclesiais e se escracha no diálogo-embalo inter-religioso.
As teologias feministas têm a oferecer a possibilidade da convivência e da inculturação com as matrizes religiosas afro-indígenas do continente porque se assumem na pluralidade e na autonomia com as hierarquias.
3- Queremos que a casa cheire: a de Simão, a casa do povo e a casa dos teólogos e teólogas também. A Teologia da Libertação não sabe ficar em casa.
Daí que a casa continua sendo espaço vazio de dignidade e o cotidiano despossuído de beleza ou valor. As relações homem-mulher, adulto-criança não contam. A economia da casa, a reprodução e o trabalho doméstico não interferem nas análises sócio-econômicas que sustentam toda reflexão teológica libertadora. Daí que continuamos a não ter o que dizer e a conviver com a miséria emocional e sexual de nossos povos. E a nossa.
4- As teologias feministas querem mais. Cheiramos o orgasmo como dinâmica prazeirosa que dignifica a pessoa, as relações, a família e a casa. Fazemos teologia pôr prazer, porque é bom, porque liberta e dignifica a vida. Por isso nos ocuparmos da discussão sobre culpa e prazer, sexo e poder, sexualidade e política, produção e reprodução.
Isto tudo cheira demais e quase sempre o grito de desperdício! é mais forte do que as tentativas e alternativas que vamos tecendo.
5- Cheiramos das muitas jornadas de trabalho que compartilhamos com as mulheres do continente. Privilegiadas pelo acesso ao estudo e à vida acadêmica, convivemos em situações familiares e esquemas de vida religiosa opressoras.
Vivemos num continente que respira e convive com a miséria cotidianamente. Entre nós a pobreza tem sexo: são as mulheres e as crianças do continente que sofrem de modo mais imediato e direto com as crises econômicas e políticas que arrastam o continente latino-americano pôr 5 séculos.
Convivemos com números absurdos de violência doméstica contra as mulheres sem contar com mecanismos institucionais - policiais e jurídicos - de proteção. Convivemos com o trabalho mal remunerado de milhões de trabalhadores, em especial de mulheres, e um movimento sindical que continua privilegiando as questões masculinas e sendo liderados pôr homens que não se dão conta das formas específicas de exploração das mulheres tanto no trabalho das fábricas como no campo. Convivemos com esquemas de sexo-turismo e prostituição infanto-juvenil que perpetuam esquemas perversos de abuso e violentação sexual.
Convivemos com altas taxas de mortalidade de mulheres no período de gestação, parto e pós-parto o que revela a total inexistência de políticas públicas de saúde da mulher.
É o cheiro dessas mulheres que queremos em nossa teologia e não o cheiro de uma mulher ideal que alguns teólogos insistem em continuar exalando quando tratam da mulher como tema, item, questão adjetiva e não substantiva da política e da teologia.
6- Temos cheiro de mãe. Mas já não queremos vestir as vestes apertadas e incômodas da maternidade despossuída de dignidade.
Entre estas vestes que cheiram a mofo está todo o discurso religioso que mistifica e idealiza a maternidade, em especial no aprisionamento de Maria, mãe de Jesus. Enclausurada numa virgindade absurda e desnecessária Maria, passa a assumir no discurso da Teologia o papel da mãe que tudo sofre, tudo crê, tudo suporta pelo amor dos filhos e do povo na afirmação de um novo tipo de virgindade: a sócio-política. Recauchuta-se os dogmas e Maria e todas nós continuamos a ser depósitos virtuosos e militantes da causa do Reino e do povo.
Queremos derramar o perfume do corpo sexuado de Maria e de todas nós, tomando o discurso sobre a maternidade, virgindade, concepção e fecundidade em nossas mãos, em nosso ventre, em nosso sexo. Queremos continuar a engravidar só de ouvir as canções que o sagrado sopra sobre nós.
Mas inteiras. Virgens ou não.
7- Mães ou não. Aceitamos o diálogo com outras mulheres, cristãs ou não, que se colocam o desafio de pensar sobre direitos reprodutivos, inclusive o aborto.
Conversamos também com as milhares de mulheres que morrem todos os anos em abortos clandestinos desesperados e malfeitos.
Nos recusamos a conversar com o clero e senhores da lei e da moral incapazes de fazer da experiência do corpo matéria teológica. Esta conversa tem de ter cheiro de mulher. Ninguém quer o aborto. Mas ele existe e precisa ser descriminalizado para que a conversa aconteça de modo libertador.
Precisa ser legalizado para que o sacrifício sistemático de mulheres pobres acabe.
A Teologia da Libertação tem afirmado o primado da vida como critério regulador das questões morais e éticas. Vamos juntas... mas queremos mais. Não existe a vida como um valor em si mesmo, fora dos limites e determinantes sócio-culturais. Afirmamos a vida em sua concretude, é dizer suas contradições e feixe de relações.
Daí que a ética deixa de ser a defesa de absolutos pra ser o discernimento do que é justo e belo nas particularidades.
8- Nossa teologia tem cheiro de criança. E que cheiros uma criança tem! São tantos e todos e nenhum deles perpassa a teologia. Nenhuma delas...nem a da Libertação. As crianças empobrecidas aparecem como tema, como exemplo de situação de opressão e sacrifício mas não são afirmadas como agente eclesial e social ativos. Merecem as ações libertadoras dos adultos mas não são entendidas como parte ativa e presença profética no meio da comunidade de fé.
9-Também nos gritam desperdício! quando derramamos a exigência de democratização e socialização dos sacramentos e ordens.
Até mesmo entre as teólogas existe as que fazem coro dizendo que a luta pela ordenação feminina não é prioritária. Correto: nossa prioridade não é o púlpito ou o poder de administrar o sacramento.
Mas não dá pra conviver com formas de organização da vida eclesial que continuam a proibir o acesso de mulheres a esta ou aquela instância da vida interna da comunidade cristã.
A luta pela ordenação feminina não se esgota no acesso à ordem e aos sacramentos mas se articula com um processo mais amplo de avaliação e na busca de novas formas de ser igreja.
Qualquer discussão sobre poder e carisma que não aponte para o acesso inclusivo ao ministério joga água no moinho da discriminação nas igrejas e na sociedade.
10-E cheiramos a Bíblia. Lemos a Bíblia não mais com os olhos da tradição ou da ciência, mas desconfiando das duas permitimos que o nosso faro nos aponte as possibilidades de leitura da memória do povo de Deus que não reforce os mecanismos eclesiais e sociais de opressão da mulher.
Cheiramos mulheres pôr toda a Bíblia. Até mesmo aonde elas não estão. Cheiramos a palavra de Deus no texto e na vida cientes de que a revelação está nessa dinâmica de leitura e construção de sentido. Nos aproximamos do texto perguntando pelo contexto.
Usamos o instrumental científico disponível no trato com as línguas e as culturas que sustentam o texto. Mas não abrimos mão de cheirar o texto, de suspeitar dele e até mesmo de recusá-lo se nos cheira mal. Recriamos o texto não nele mesmo mas ao recitá-lo o reinventamos a partir de nós mesmas que somos donas do nosso nariz.



Nancy Cardoso é pastora metodista, com formação específica na área de Bíblia

quinta-feira, 5 de abril de 2012

A Páscoa e a Menina Morta - Quem se importa?

Foto - Sebastião Salgado

Não existem alegrias nesse texto que escolhi para a Páscoa de 2012. Existe sim, motivação para uma profunda reflexão e uma mudança de atitude diante da vida. Cristo continua morrendo e nossas mãos estão sujas de sangue. Quem escreveu esse texto foi Mano Granjeiro, de Juazeiro do Norte-CE, meu Amigo.
Até outro dia...

Amig@s, hoje estou particularmente triste com a noticia da morte de uma criança de 11 anos, do sexo feminino, brutalmente violentada, estuprada e assassinada no parque ecológico da timbaúbas, em Juazeiro. As circunstâncias nas quais a menina foi encontrada são terríveis, e os motivos do crime, pelo que se comenta, envolve uma teia de negociações hediondas.
Não quero aqui julgar ninguém, mas sim, suscitar algumas questões passíveis de reflexões por parte de
tod@s nós:


 1. Os personagens dessa terrível história estão inseridos no contexto de uma comunidade violenta, no sentido mais amplo da palavra, largados à própria sorte, desassistidos de politicas públicas (e aqui falo de politicas publicas eficazes, que venham atender às demandas sociais. Postos de saúde e escolas sem qualidade de educação não podem se encaixar nessa configuracão, pois sabemos que representam muito mais a inoperância e a ineficácia do poder publico frente aos problemas sociais);

 2. O índice de natalidade nessa comunidade é altíssimo: é comum meninas de 15 anos já serem mães, e já estarem grávidas novamente;

 3. Essas crianças crescem absorvendo toda a falta de estrutura da família e da comunidade em seu entorno, presenciando, muitas vezes, situações de extrema violência familiar;

 4. Que futuro nos aguarda diante desse quadro, no qual estamos tod@s inserid@s?

5. Por meio das nossas ações, ou pela falta delas, produzimos diariamente a miséria social. Extratificamos as populações por níveis de renda, segregamos as populações de baixa renda e delas são subtraídos os direitos que lhe são legítimos, e assim contribuímos para a producão de comunidades violentas, com baixíssimos índices de desenvolvimento humano e altíssimos índices de exclusão;



 6. A miséria social é uma questão de ética, ou da falta dela;

 7. Assim como não cuidamos da natureza, também não cuidamos das pessoas, e assim como a natureza se revolta e traz à cena catástrofes ambientais, a revolta do social também provoca terríveis catástrofes, como essa que aconteceu agora em Juazeiro;

 8. Se não quisermos nos transformar em mais uma megalópole caótica, constituída pelos centros urbanos CRA-JU-BAR, precisamos começar a tomar providências urgentes. A primeira delas é sabermos que estamos em processo de desenvolvimento e que essa é a hora de planejarmos esse desenvolvimento. Participarmos da vida política da região de forma mais atuante, dizendo não aos "ratos" e "urubus" pode ser um bom começo;

 9. Assistir passivamente à desgraça social é, no minimo, uma atitude de egoismo e individualismo;

 10. Pedir a Deus que ele abençoe à nossa família é uma atitude muito cômoda, simplesmente porque é muito fácil ser abençoado quando se tem condições financeiras de erguer abrigos anti-nucleares para proteger os seus nessa guerra de classes;

 11. Não há desenvolvimento sem equidade social, liberdade de escolha, politicas publicas integradas e abrangentes, ética social. Crescimento econômico sem crescimento das oportunidades sociais, sem o devido atendimento às demandas sociais, sem considerar as demais dimensões do processo social , não é desenvolvimento, e sim o fermento do grande bolo do caos;

 12. As comunidades desassistidas são problemas nossos...nós contribuimos para as suas existências, e não é com acoes assistencialistas e clientelistas que podemos ajuda-las. Precisamos pensar maneiras de exercer a nossa cidadania de forma realmente comprometida. Cada um de nós é sujeito politico, atuante no processo...

 13. A morte dessa menina é um problema nosso...
Mano Granjeiro